Nietzsche dizia que no mundo da arte e da filosofia, o Homem trabalha para uma imortalidade do intelecto. E eu concluo que no mundo da poesia e da arte, o Homem trabalha para uma imortalidade da alma.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
AUTONOMIA DO DESEJO
Ás vezes sinto vontade de me entregar ao sexo oposto de maneira selvagem e despretensiosa. Ignorando tabus sociais, dogmáticos e culturais. Coito sem semideuses, apenas cópula carnal. Sexo sem propriedade. Um brinde à renuncia hierárquica. Não é apologia ao bacanal nem mesmo à libertinagem, é um reconhecimento ao instinto primitivo e sensorial.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
SOMBRA FELINA
Há uma sombra que me persegue,
tem quatro patas.
É na calada da noite
que ela se insinua,selvagem.
Faz,de meu corpo, seu escravo.
Seu hálito de fera ofusca
meus sentidos.
O cheiro de mato, que cresce
ao seu redor, me enfeitiça.
Quimera de ter você outra vez
ao meu lado.
Ah, não são apenas sonhos
nem fantasias, sinto na
atmosfera.
Ela me acompanha na sombra das horas,
me preenche de abstratos e tem
garras de pantera.
16/6/2011
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Faces da Palavra
Sempre ela, a tal da palavra:
Pode ser forte como um trovão
e destruir uma intenção.
Como pode ser tão suave
capaz de transformar
um coração.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Relação homem e mulher
O importante é não pedir permissão para honrar seus próprios desejos, simplesmente os honre. Vez ou outra quando me canso de relações humanas, observo os animais, eles têm uma sabedoria instintiva um tanto enternecedora.
G.E.P.A.D.
Ele era o mais garanhão da cidade. Tinha "sex appeal", dotado de beleza estética e um tanto sedutor. Nem todo o garanhão é sedutor, pelo contrário e o fato já se torna irrisório. Como este tipo se deslumbra com quantidade duvidosa e descarta qualidade, se torna repetitivo e prosaico. Convenhamos, o que é trivial desencanta rápido.
Por falar em quantidade e qualidade, o dado me remete à mercadoria e esta me leva a pensar em economia, então, me questiono: o que será que se economiza? Será parcimônia de autenticidade? Ou são valores aviltantes? Independentemente das classificações, devo confessar que voltar ao início do texto se torna providencial senão o tal G.E.P.A.D- que entende-se por: GARANHÃO EM POTENCIAL AUTODESTRUIÇÃO, corre sérios riscos de sucumbir às tentações do ego encardido e nefasto. Este é um abre alas para a masmorra de suas crenças insignificantes.
Vai seu potro sem dona, tente resgatar alguma donzela em apuros. Uma vez conquistada, deixe-a tomar as rédeas e ditar se o que a pulsa o coração é um senhor galope ou uma marcha troteada-marcha-ré-da-dor. Olha que toda égua já foi potranca algum dia e sempre há uma porteira em direção ao potril.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
DANÇA COM OS LOBOS
Raios em mim.
Me sinto uma loba
em chamas.
Farejo à margem do ato
quase clandestino:
a astúcia e a sedução
dançam lado a lado,
movidas pelo desejo voraz,
em estado de volúpia.
Trovões, maré cheia.
Se cair na rede, é peixe.
Acuado, o lobo ainda resiste.
A loba, envolvente e certeira,
rosna o beaba da conquista
sem dar nenhuma pista.
No meio da selva, horas depois,
lobo e loba dançam juntos
um baile a dois.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
segunda-feira, 18 de julho de 2011
ALVO
Flechas lançadas ao infinito são dardos inquietantes que nos sugerem a ambivalência de um desconhecido que nos coloca ora diante de nosso gigantismo, ora ante nossa pequenez
segunda-feira, 11 de julho de 2011
TRÉPLICA AO PEDRO VICENTE
Como não dialogar com seu poema que desfila impávido e repleto de analogias e eufonia? me agrada o acaso, me acusa contato.
Reverbera aquela tal quimera que contagiava
nossas almas de meninos encantados com aquelas
bonecas que moravam na vitrine do salão, onde a
Maria e a Emilia faziam de conta que a brincadeira
do "mia gato" era apenas euforia pós-ceia.
Mal sabiam que aquele som melodioso da harpa que
penetrava nossos ouvidos e corações eram sutis notas
oriundas dos porta-retratos.
DAS RELAÇÕES
Estou farta de afetos líquidos.
Estes dilatam, se diluem, não acrescentam.
Os sólidos me encantam mais:
nutrem meu coração faminto,
dão sabor à minha vida
e um sentido aos meus ais.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
QUINTESSÊNCIA
Não há nada mais atraente
do que estar orquestrada
contigo,na sinfonia
de nossas intenções
Cortejos vespertinos
tecem a teia que oculta
nossos segredos ávidos
por serem revelados
Benditos são os bálsamos
que harmonizam nossos
sentidos
Abram alas: A estreia acontece.
quinta-feira, 12 de maio de 2011
BENDITA LUZ
Cuando no puedo
mirar tus ojos
veo tu sombra
Detrás de la luz
de tu alma
Lo unico que sè
es que estas aqui
30/4/2011
quarta-feira, 27 de abril de 2011
GAME OVER
Os espelhos da minha alma estão imersos
nos abismos de teu silêncio.
Se queres me desafiar, te pergunto:
desafiarias o teu ego?
Farias gato e sapato do teu brio?
insisto: enfeitarias tua vaidade, aquela que te ofusca,
com adôrnos de palhaço de circo?
Ou preferes ser o príncipe
de uma história de fadas,
onde tudo é uma grande farsa
e sempre acaba em happy end?
Posso ser tua princesa,
mesmo que tudo seja fugáz
e viveremos nosso romance
com todas as coisas boas e más.
Sem jogo,sem disfarces,
sem medo do final.
E então, o jogo é real?
domingo, 10 de abril de 2011
CORAÇÃO DE MENTE
"A perda de tempo na disputa mente/coração pode ser fatal. A mente é ardilosa e o tempo, implacável." (Fernando Alves Pinto)
Volta e meia, me deparo com este abismo:
mente/coração
coração/mente.
E há salvação?
O coração mente?
A mente sente?
Há mente no coração?
O coração da gente
não mente.
Sente este coração?
Camufla a mente?
Pensa e pulsa em vão?
Me salva, coração!
domingo, 20 de março de 2011
CALADA DA NOITE
Uivos noturnos harmonizam
estrelas reluzentes
de um manto
celestial
A escuridão me dá asas para a imaginação.
Tateio, ás cegas, desejos
do que hei de viver
guiada pela emoção.
Ânsias e Distâncias
Meu coração no cio
não nega contato.
Teu olho distante
não enxerga o que há
de abstrato em
cada gesto meu.
Quero este teu canto.
Me encantas,
preenches meus vazios.
Dentro do meu peito,
há urgências que desfilam
em trajes de gata
no cio
sexta-feira, 18 de março de 2011
TRAMAS E ARDIS
Há dias acordo assim:
sedenta de amor.
Fabulo os encontros:
imagino os diálogos,
suponho os rumores,
sonho com os olhares.
Ensaio as pausas,
crio os cenários,
interpreto os desejos.
Então te vejo
e aconteço.
quinta-feira, 10 de março de 2011
MIRAGEM
Pergunto á lua
se ela te enxerga
de onde está.
Confesso para as estrelas
os meus mais
loucos desejos.
Quando te quero presente
em meus pensamentos,
subitamente
lanço um olhar ao céu
e desvendo o véu
que cobre meus anseios.
MAGIA DAS HORAS
A poesia é minha aliada.
Dia e noite.
Noite e dia.
Na madrugada
é que meus versos
tecem a melodia.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
O Jogo da Amarelinha (Julio Cortázar)
Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno da tua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a tua boca se entreabrisse e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em teu rosto e que por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a tua boca que sorri debaixo daquela que a minha mão te desenha.
Tu me olhas, de perto tu me olhas, cada vez mais de perto e, então, brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais perto e nossos olhos se tornam maiores, aproximam-se, sobrepõem-se e os cíclopes se olham, respirando indistintas, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se nos teus cabelos, acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragância obscura. E, se nos mordemos, a dor é doce; e, se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu te sinto tremular contra mim, como uma lua na água. (O Jogo da Amarelinha. Julio Cortázar.)
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
ARTE DE VIVER
Ninguém vive
neste plano
impunemente.
Cada experiência,
que seja sempre
digna de um poema.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
RITOS
Os rituais do cotidiano me são um tanto desafiadores. Ao mesmo tempo, me inspiram de tal maneira, que chego até a questionar seus motivos e propósitos. Por outro lado, por serem protagonistas de uma certa monotonia, costumo questionar sua eficácia. (Eu e meu eu lírico). Minha reflexão pode parecer simplória e/ou confusa aos olhos dos leitores carentes de lentes de aumento neste mundo regido e visto por uma ótica artística e estética. Apesar de tudo, estes rituais são necessários para dar um norte ao ser humano e colocar arte nas pinceladas do cotidiano, valoriza ainda mais esta grande obra que é viver.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
ESBOÇO DE PERSONAGEM
Se não fosse eu mesma,
seria uma cachoeira
ou qualquer força da natureza.
Um pingo,
um chuvisco.
Asfalto molhado
e seus significados.
Uma fada montada
em cavalo alado.
Donzela de Príncipe Encantado
Bailarina em carrossel,
cortejando a dramaturgia
do cotidiano.
Colombina sem Pierrot,
perdida pelos palcos da vida.
Dama da noite em ritos de côrte.
Delicada flor da manhã.
Pétala perolada,
diva
de Don Juan.
Se não fosse eu mesma,
não seria nada disso.
Apenas estilhaços a esmo.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
domingo, 16 de janeiro de 2011
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
AUTOPISTA
Me transcenda pelos caminhos desta autopista tão sinuosa e incerta.
Por vezes habita em mim um silêncio um tanto eloquente. Quase obsequioso.
E eu sou levada pelas trilhas do meu destino.
1/01/2011
Assinar:
Postagens (Atom)
