quarta-feira, 23 de novembro de 2011

AUTONOMIA DO DESEJO

Ás vezes sinto vontade de me entregar ao sexo oposto de maneira selvagem e despretensiosa. Ignorando tabus sociais, dogmáticos e culturais. Coito sem semideuses, apenas cópula carnal. Sexo sem propriedade. Um brinde à renuncia hierárquica. Não é apologia ao bacanal nem mesmo à libertinagem, é um reconhecimento ao instinto primitivo e sensorial.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

SOMBRA FELINA

Há uma sombra que me persegue, tem quatro patas. É na calada da noite que ela se insinua,selvagem. Faz,de meu corpo, seu escravo. Seu hálito de fera ofusca meus sentidos. O cheiro de mato, que cresce ao seu redor, me enfeitiça. Quimera de ter você outra vez ao meu lado. Ah, não são apenas sonhos nem fantasias, sinto na atmosfera. Ela me acompanha na sombra das horas, me preenche de abstratos e tem garras de pantera. 16/6/2011

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Faces da Palavra

Sempre ela, a tal da palavra: Pode ser forte como um trovão e destruir uma intenção. Como pode ser tão suave capaz de transformar um coração.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Relação homem e mulher

O importante é não pedir permissão para honrar seus próprios desejos, simplesmente os honre. Vez ou outra quando me canso de relações humanas, observo os animais, eles têm uma sabedoria instintiva um tanto enternecedora.

G.E.P.A.D.

Ele era o mais garanhão da cidade. Tinha "sex appeal", dotado de beleza estética e um tanto sedutor. Nem todo o garanhão é sedutor, pelo contrário e o fato já se torna irrisório. Como este tipo se deslumbra com quantidade duvidosa e descarta qualidade, se torna repetitivo e prosaico. Convenhamos, o que é trivial desencanta rápido. Por falar em quantidade e qualidade, o dado me remete à mercadoria e esta me leva a pensar em economia, então, me questiono: o que será que se economiza? Será parcimônia de autenticidade? Ou são valores aviltantes? Independentemente das classificações, devo confessar que voltar ao início do texto se torna providencial senão o tal G.E.P.A.D- que entende-se por: GARANHÃO EM POTENCIAL AUTODESTRUIÇÃO, corre sérios riscos de sucumbir às tentações do ego encardido e nefasto. Este é um abre alas para a masmorra de suas crenças insignificantes. Vai seu potro sem dona, tente resgatar alguma donzela em apuros. Uma vez conquistada, deixe-a tomar as rédeas e ditar se o que a pulsa o coração é um senhor galope ou uma marcha troteada-marcha-ré-da-dor. Olha que toda égua já foi potranca algum dia e sempre há uma porteira em direção ao potril.

ENLEVO

Sonhar não arranca pedaços só arranca suspiros

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

DANÇA COM OS LOBOS

Raios em mim. Me sinto uma loba em chamas. Farejo à margem do ato quase clandestino: a astúcia e a sedução dançam lado a lado, movidas pelo desejo voraz, em estado de volúpia. Trovões, maré cheia. Se cair na rede, é peixe. Acuado, o lobo ainda resiste. A loba, envolvente e certeira, rosna o beaba da conquista sem dar nenhuma pista. No meio da selva, horas depois, lobo e loba dançam juntos um baile a dois.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

AMOR EM TRÊS ATOS

Ontem, anseio hoje, não veio amanhã, não creio 3/6/2008

segunda-feira, 18 de julho de 2011

ALVO

Flechas lançadas ao infinito são dardos inquietantes que nos sugerem a ambivalência de um desconhecido que nos coloca ora diante de nosso gigantismo, ora ante nossa pequenez

segunda-feira, 11 de julho de 2011

TRÉPLICA AO PEDRO VICENTE

Como não dialogar com seu poema que desfila impávido e repleto de analogias e eufonia? me agrada o acaso, me acusa contato. Reverbera aquela tal quimera que contagiava nossas almas de meninos encantados com aquelas bonecas que moravam na vitrine do salão, onde a Maria e a Emilia faziam de conta que a brincadeira do "mia gato" era apenas euforia pós-ceia. Mal sabiam que aquele som melodioso da harpa que penetrava nossos ouvidos e corações eram sutis notas oriundas dos porta-retratos.

DAS RELAÇÕES

Estou farta de afetos líquidos. Estes dilatam, se diluem, não acrescentam. Os sólidos me encantam mais: nutrem meu coração faminto, dão sabor à minha vida e um sentido aos meus ais.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

QUINTESSÊNCIA

Não há nada mais atraente do que estar orquestrada contigo,na sinfonia de nossas intenções Cortejos vespertinos tecem a teia que oculta nossos segredos ávidos por serem revelados Benditos são os bálsamos que harmonizam nossos sentidos Abram alas: A estreia acontece.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

BENDITA LUZ

Cuando no puedo mirar tus ojos veo tu sombra Detrás de la luz de tu alma Lo unico que sè es que estas aqui 30/4/2011

quarta-feira, 27 de abril de 2011

GAME OVER

Os espelhos da minha alma estão imersos nos abismos de teu silêncio. Se queres me desafiar, te pergunto: desafiarias o teu ego? Farias gato e sapato do teu brio? insisto: enfeitarias tua vaidade, aquela que te ofusca, com adôrnos de palhaço de circo? Ou preferes ser o príncipe de uma história de fadas, onde tudo é uma grande farsa e sempre acaba em happy end? Posso ser tua princesa, mesmo que tudo seja fugáz e viveremos nosso romance com todas as coisas boas e más. Sem jogo,sem disfarces, sem medo do final. E então, o jogo é real?

domingo, 10 de abril de 2011

CORAÇÃO DE MENTE

"A perda de tempo na disputa mente/coração pode ser fatal. A mente é ardilosa e o tempo, implacável." (Fernando Alves Pinto) Volta e meia, me deparo com este abismo: mente/coração coração/mente. E há salvação? O coração mente? A mente sente? Há mente no coração? O coração da gente não mente. Sente este coração? Camufla a mente? Pensa e pulsa em vão? Me salva, coração!

domingo, 20 de março de 2011

FRUTA DOCE

Vida que aflora lá fora. Uva, morango, ameixa. Me deixa cereja. Quero ser gueixa.

CALADA DA NOITE

Uivos noturnos harmonizam estrelas reluzentes de um manto celestial A escuridão me dá asas para a imaginação. Tateio, ás cegas, desejos do que hei de viver guiada pela emoção.

Ânsias e Distâncias

Meu coração no cio
não nega contato.
Teu olho distante
não enxerga o que há
de abstrato em
cada gesto meu.
Quero este teu canto. Me encantas, preenches meus vazios. Dentro do meu peito, há urgências que desfilam em trajes de gata no cio

PARTO

Grávida de vida, pari meu poema: alívio de uma gestação repleta de abismos

sexta-feira, 18 de março de 2011

TRAMAS E ARDIS

Há dias acordo assim:
sedenta de amor.
Fabulo os encontros:
imagino os diálogos,
suponho os rumores,
sonho com os olhares.
Ensaio as pausas,
crio os cenários,
interpreto os desejos.
Então te vejo
e aconteço.

quinta-feira, 10 de março de 2011

MIRAGEM

Pergunto á lua se ela te enxerga de onde está. Confesso para as estrelas os meus mais loucos desejos. Quando te quero presente em meus pensamentos, subitamente lanço um olhar ao céu e desvendo o véu que cobre meus anseios.

MAGIA DAS HORAS

A poesia é minha aliada. Dia e noite. Noite e dia. Na madrugada é que meus versos tecem a melodia.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O Jogo da Amarelinha (Julio Cortázar)

Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno da tua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a tua boca se entreabrisse e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em teu rosto e que por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a tua boca que sorri debaixo daquela que a minha mão te desenha. Tu me olhas, de perto tu me olhas, cada vez mais de perto e, então, brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais perto e nossos olhos se tornam maiores, aproximam-se, sobrepõem-se e os cíclopes se olham, respirando indistintas, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se nos teus cabelos, acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragância obscura. E, se nos mordemos, a dor é doce; e, se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu te sinto tremular contra mim, como uma lua na água. (O Jogo da Amarelinha. Julio Cortázar.)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

ARTE DE VIVER

Ninguém vive neste plano impunemente. Cada experiência, que seja sempre digna de um poema.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

RITOS

Os rituais do cotidiano me são um tanto desafiadores. Ao mesmo tempo, me inspiram de tal maneira, que chego até a questionar seus motivos e propósitos. Por outro lado, por serem protagonistas de uma certa monotonia, costumo questionar sua eficácia. (Eu e meu eu lírico). Minha reflexão pode parecer simplória e/ou confusa aos olhos dos leitores carentes de lentes de aumento neste mundo regido e visto por uma ótica artística e estética. Apesar de tudo, estes rituais são necessários para dar um norte ao ser humano e colocar arte nas pinceladas do cotidiano, valoriza ainda mais esta grande obra que é viver.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

ESBOÇO DE PERSONAGEM

Se não fosse eu mesma, seria uma cachoeira ou qualquer força da natureza. Um pingo, um chuvisco. Asfalto molhado e seus significados. Uma fada montada em cavalo alado. Donzela de Príncipe Encantado Bailarina em carrossel, cortejando a dramaturgia do cotidiano. Colombina sem Pierrot, perdida pelos palcos da vida. Dama da noite em ritos de côrte. Delicada flor da manhã. Pétala perolada, diva de Don Juan. Se não fosse eu mesma, não seria nada disso. Apenas estilhaços a esmo.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

ENIGMA

Em seus silêncios, os tristes sonham sozinhos Que vazios os preenchem?

domingo, 16 de janeiro de 2011

Somos feitos da evanescência da vida. Esta vida efêmera e fugaz. O que nos resta, através dos séculos, é a consciência e o amor.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Eu outra vez na condição feto, dispenso por hora, meu corpo ereto domesticado e idealizado por desafios da vida mundana. E tenho dito. 11/01/2011

AUTOPISTA

Me transcenda pelos caminhos desta autopista tão sinuosa e incerta. Por vezes habita em mim um silêncio um tanto eloquente. Quase obsequioso. E eu sou levada pelas trilhas do meu destino. 1/01/2011