segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

PÊNDULO DO TEMPO

Tenho contado para as horas que desfilam dispersas pelo meu dia, os sabores dos beijos que compartilhei. Revelo para os muros e paredes, os amores mutantes, as bocas estreiantes, robustas e ávidas por desejos de outrora. Confesso para as inconstâncias do tempo, as urgências de um amor interrompido. Em trajes de distâncias, flerto com as reticências do acaso, os significados.

domingo, 29 de janeiro de 2012

A FLOR E O MAR

A rosa vermelha foi lançada em direção ao mar,mas ficou na pedra. Instantes depois, um pássaro sobrevoou a flor que lá permanecia,intacta e bela, com suas pétalas voltadas para cima.
Meu desejo é que venha uma onda forte e grande e a carregue ao mar. O destino da flor é o mar. No dia em que colhi a rosa, cometi um lapso e não dei a ela os cuidados básicos que se dá a uma rosa fechada e que anseia desabrochar. Ela ficou sedenta e somente no dia seguinte é que me lembrei de tratá-la com a delicadeza e o carinho que se trata uma flor. Hoje, dia que escolhi para jogá-la no mar, ela não suportou e não ultrapassou da pedra.
Finalmente bateu uma onda mais forte e a rosa foi regada, mas ainda permanecia na pedra. O que me resta, neste momento, é a esperança da força das águas e a sabedoria dos ventos.
A natureza se encarrega de proporcionar o encontro da rosa com o mar.

16/2/2011

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O AMOR EM DIÁLOGOS COM A SAUDADE

Me questiono se de veras o que nos move saudade, é o objeto amado ou o desejo por sentir saudade... amar na saudade nos impõem um belo desafio, o coração fica vigilante e inquieto ao passo que amar na presença, nos proporciona uma certa sensação de êxtase controlado, platô.

DO AMOR - comentário à Natália Parreiras

Naty, relendo seu texto, quase dois anos depois, me impressiona o novo deslumbramento que me causa. Como o poder transformador do tempo em sintonia com as experiências, é capaz de influenciar nossa leitura e assimilação da mesma. Ler é um ato de relação e corelação e muitas vezes de indentificação. "Pra mim o amor é uma instância, de fato, solitária. Se ama na presença, de modo absolutamente diverso de como se ama na saudade, na impossibilidade dos corpos, ou do "alinhamento dos astros". O AMOR ACOMPANHADO é um delírio de dias contados." Muito mágica toda esta "poética-filosófica" reflexão e percepção sobre o amor, mas, também um tanto ambígua e instigante pois, me faz questionar se de veras o que nos move saudade, é o objeto amado ou o desejo por sentir saudade... amar na saudade nos impõem um belo desafio, o coração fica vigilante e inquieto ao passo que amar na presença, nos proporciona uma certa sensação de êxtase controlado, platô.