Nietzsche dizia que no mundo da arte e da filosofia, o Homem trabalha para uma imortalidade do intelecto. E eu concluo que no mundo da poesia e da arte, o Homem trabalha para uma imortalidade da alma.
domingo, 20 de março de 2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
TRAMAS E ARDIS
Há dias acordo assim:
sedenta de amor.
Fabulo os encontros:
imagino os diálogos,
suponho os rumores,
sonho com os olhares.
Ensaio as pausas,
crio os cenários,
interpreto os desejos.
Então te vejo
e aconteço.
quinta-feira, 10 de março de 2011
MIRAGEM
Pergunto á lua
se ela te enxerga
de onde está.
Confesso para as estrelas
os meus mais
loucos desejos.
Quando te quero presente
em meus pensamentos,
subitamente
lanço um olhar ao céu
e desvendo o véu
que cobre meus anseios.
MAGIA DAS HORAS
A poesia é minha aliada.
Dia e noite.
Noite e dia.
Na madrugada
é que meus versos
tecem a melodia.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
O Jogo da Amarelinha (Julio Cortázar)
Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno da tua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a tua boca se entreabrisse e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em teu rosto e que por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a tua boca que sorri debaixo daquela que a minha mão te desenha.
Tu me olhas, de perto tu me olhas, cada vez mais de perto e, então, brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais perto e nossos olhos se tornam maiores, aproximam-se, sobrepõem-se e os cíclopes se olham, respirando indistintas, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se nos teus cabelos, acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragância obscura. E, se nos mordemos, a dor é doce; e, se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu te sinto tremular contra mim, como uma lua na água. (O Jogo da Amarelinha. Julio Cortázar.)
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
ARTE DE VIVER
Ninguém vive
neste plano
impunemente.
Cada experiência,
que seja sempre
digna de um poema.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
RITOS
Os rituais do cotidiano me são um tanto desafiadores. Ao mesmo tempo, me inspiram de tal maneira, que chego até a questionar seus motivos e propósitos. Por outro lado, por serem protagonistas de uma certa monotonia, costumo questionar sua eficácia. (Eu e meu eu lírico). Minha reflexão pode parecer simplória e/ou confusa aos olhos dos leitores carentes de lentes de aumento neste mundo regido e visto por uma ótica artística e estética. Apesar de tudo, estes rituais são necessários para dar um norte ao ser humano e colocar arte nas pinceladas do cotidiano, valoriza ainda mais esta grande obra que é viver.
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