quinta-feira, 22 de setembro de 2011

G.E.P.A.D.

Ele era o mais garanhão da cidade. Tinha "sex appeal", dotado de beleza estética e um tanto sedutor. Nem todo o garanhão é sedutor, pelo contrário e o fato já se torna irrisório. Como este tipo se deslumbra com quantidade duvidosa e descarta qualidade, se torna repetitivo e prosaico. Convenhamos, o que é trivial desencanta rápido. Por falar em quantidade e qualidade, o dado me remete à mercadoria e esta me leva a pensar em economia, então, me questiono: o que será que se economiza? Será parcimônia de autenticidade? Ou são valores aviltantes? Independentemente das classificações, devo confessar que voltar ao início do texto se torna providencial senão o tal G.E.P.A.D- que entende-se por: GARANHÃO EM POTENCIAL AUTODESTRUIÇÃO, corre sérios riscos de sucumbir às tentações do ego encardido e nefasto. Este é um abre alas para a masmorra de suas crenças insignificantes. Vai seu potro sem dona, tente resgatar alguma donzela em apuros. Uma vez conquistada, deixe-a tomar as rédeas e ditar se o que a pulsa o coração é um senhor galope ou uma marcha troteada-marcha-ré-da-dor. Olha que toda égua já foi potranca algum dia e sempre há uma porteira em direção ao potril.

ENLEVO

Sonhar não arranca pedaços só arranca suspiros

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

DANÇA COM OS LOBOS

Raios em mim. Me sinto uma loba em chamas. Farejo à margem do ato quase clandestino: a astúcia e a sedução dançam lado a lado, movidas pelo desejo voraz, em estado de volúpia. Trovões, maré cheia. Se cair na rede, é peixe. Acuado, o lobo ainda resiste. A loba, envolvente e certeira, rosna o beaba da conquista sem dar nenhuma pista. No meio da selva, horas depois, lobo e loba dançam juntos um baile a dois.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

AMOR EM TRÊS ATOS

Ontem, anseio hoje, não veio amanhã, não creio 3/6/2008

segunda-feira, 18 de julho de 2011

ALVO

Flechas lançadas ao infinito são dardos inquietantes que nos sugerem a ambivalência de um desconhecido que nos coloca ora diante de nosso gigantismo, ora ante nossa pequenez

segunda-feira, 11 de julho de 2011

TRÉPLICA AO PEDRO VICENTE

Como não dialogar com seu poema que desfila impávido e repleto de analogias e eufonia? me agrada o acaso, me acusa contato. Reverbera aquela tal quimera que contagiava nossas almas de meninos encantados com aquelas bonecas que moravam na vitrine do salão, onde a Maria e a Emilia faziam de conta que a brincadeira do "mia gato" era apenas euforia pós-ceia. Mal sabiam que aquele som melodioso da harpa que penetrava nossos ouvidos e corações eram sutis notas oriundas dos porta-retratos.

DAS RELAÇÕES

Estou farta de afetos líquidos. Estes dilatam, se diluem, não acrescentam. Os sólidos me encantam mais: nutrem meu coração faminto, dão sabor à minha vida e um sentido aos meus ais.