FELIS SILVESTRIS CATUS
Certa vez conheci um artista.
Era um pintor, pintava gatos.
Aquela noite, perguntei a ele
o que o encantava nos felídeos.
Queria saber o que o motivava
a fazer retratos felinos.
Ele olhou intensamente meus olhos,
fez uma pausa e me disse: gosto do "bastar-se"
dos gatos. Daquele jeito elegante e misterioso.
Fico encantado com a sensualidade felina e com o
savoir-faire dos gatos. Aquele olhar de mormaço que
seduz qualquer ser vivo pronto para recebê-lo. Outro aspecto que me agrada nestes
animais, é a característica selvagem com toques de prudência,
de independência e de leveza. Aprecio os olhos dos gatos, aquela
profundeza das pupilas quando estão em estado de vigília. Quando
fechados, observo aqueles dois traços rasgados feito máscaras
que me remetem a civilização Egípcia.
Toda a descrição do artista me transportou para aquele delírio absurdamente
plausível e digno de aplauso.


