domingo, 15 de agosto de 2010

POUSOS E DECOLAGENS

Hoje amanheci com vontade de passear no aeroporto. Desde pequena esse ambiente sempre fez parte da minha história. O fenômeno de atravessar céus, penetrar nuvens e desembarcar em outra cidade ou país, me fascina. Tudo é uma novidade que obedece a rituais. Por um bom tempo da minha vida, enfrentei estes ambientes e me tornei colecionadora de desapegos, especialista em choque cultural. De certa forma aprendi a domesticar as emoções, uma vez que minha vida sempre foi plasmada por hiatos fragmentados. Com frequência me questiono como algumas pessoas conseguem ir embora sem se despedaçar, deixam para trás entes queridos, lugares inesquecíveis. Terão estes seres humanos uma cápsula protetora em seus intímos? em seus corações? não quero respostas, mas busco, sim, sentido. O fogo que me arde a cada despedida, não é o mesmo que me aquece a cada reencontro. Por isso, me sinto um pássaro alado e os aeroportos são a minha morada.

4 comentários:

raph disse...

Desde que fui morar fora do Rio, tenho carregado a lembrança das montanhas em torno da Gávea comigo. As vezes elas ficam pesadas demais e sou obrigado a retornar para observá-las uma vez mais. Isso me alivia o peso. É bom ser leve e pesado ao mesmo tempo. É bom ter saudade, mas é igualmente bom saber que o tempo não se demora nos dias passados. Abs--raph

Mariana Junqueira disse...

Olá Raph, creio que o grande desafio é dosar as emoções que cada experiencia nos proporciona. No entanto, isto não quer dizer que não devemos viver os momentos intensamente. Pelo contrário, sou partidária da ideia de que devemos viver tudo intensamente e buscar sempre uma lição e até mesmo um amparo. Abraço

Pedro Vicente disse...

Eu também adoro aeroportos...

Natália Parreiras disse...

Tanta sensibilidade jamais parte, carregas contigo nos aeroportos ou aeronaves, no chão de cimento o no ardor das ondas. Bravíssimo!