domingo, 8 de abril de 2012

SAPATOS DEVASSOS

Nas solas dos meus sapatos estão impressas as pegadas das geografias que percorri. Em cada pisada, uma emoção. Rastros que deixei pelas esquinas do mundo. Sensações orquestradas por ordem de chegadas e partidas. Algumas portas, todas com saídas. As vezes, rumo a caverna intrínseca, outras com destino ao oásis terrestre. Se meus calçados pudessem falar, traduziriam os roteiros traçados, os abraços apertados. Os laços em sequência de atos. Ah! os sapatos, que muitas vezes são lançados às profundezas da inutilidade. Reféns da imundice mundana. Da prepotência humana. Meus sapatos são devassos. Assentam no solo e assistem a dramaturgia de um cotidiano em constante metamorfose. Tem início, meio e fim.

2 comentários:

Davi Machado disse...

Opa! gostei do seu texto!
sapatos...
as imagens descritas soaram muito bem, grande talento!

Mariana Junqueira disse...

Obrigada, Davi. Seja bem vindo