Nietzsche dizia que no mundo da arte e da filosofia, o Homem trabalha para uma imortalidade do intelecto. E eu concluo que no mundo da poesia e da arte, o Homem trabalha para uma imortalidade da alma.
domingo, 8 de abril de 2012
SAPATOS DEVASSOS
Nas solas dos meus sapatos estão
impressas as pegadas das geografias
que percorri.
Em cada pisada, uma emoção.
Rastros que deixei pelas
esquinas do mundo.
Sensações orquestradas
por ordem de chegadas
e partidas.
Algumas portas, todas
com saídas. As vezes, rumo
a caverna intrínseca, outras com
destino ao oásis terrestre.
Se meus calçados pudessem falar,
traduziriam os roteiros traçados,
os abraços apertados. Os laços
em sequência de atos.
Ah! os sapatos, que muitas vezes
são lançados às profundezas da
inutilidade.
Reféns da imundice mundana.
Da prepotência humana.
Meus sapatos são devassos.
Assentam no solo e assistem
a dramaturgia de um cotidiano
em constante metamorfose.
Tem início, meio
e fim.
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2 comentários:
Opa! gostei do seu texto!
sapatos...
as imagens descritas soaram muito bem, grande talento!
Obrigada, Davi. Seja bem vindo
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