segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Conto Infantil


Quando eu era criança, dizia que ia casar com 24 anos. Essa idade estava um tanto distante dos meus atuais 28 anos, no entanto, a idade passou por mim, eu passei por ela e não casei. Interessante constatar esse fato, não? Eu pensava muito, imaginava como seria a minha vida dali há uns dez anos para frente. Todo pensamento e toda imaginação que eu tinha, eram acompanhados de sabores e sensações plurais. O mundo do faz de conta e da fantasia me encantavam e davam sentido ao meu viver. Eu questionava muito, queria saber o motivo das coisas. No dia do meu aniversário, eu perguntava várias vezes para a minha mãe se aquele dia, era realmente o dia do meu aniversário. Cada vez que ela confirmava, uma sensação maravilhosa contagiava o meu ser. A minha avó paterna era muito culta e tinha uma curiosidade aguçada .Vovó lia livros de histórias infantis clássicas para mim e para meus irmãos. Nós adorávamos e fazíamos perguntas sobre o que escutávamos. Eu gostava de ficar ajoelhadinha no colo da vovó e escutava atentamente a história. Enquanto eu permanecia naquela posição,  observava seus detalhes. As ruginhas, o par de brincos redondinhos de cor cinza, seus óculos de grau que usava para leituras. Os vestidos que vovó usava eram variados, cada dia era uma cor ou uma estampa. Nunca repetia o mesmo no dia seguinte. O dia que eu descobri que a minha avó era a mãe do meu pai, uau!!! fiquei encantada, achei o fato incrível e as coisas começaram a fazer mais sentido para mim. Eu tinha dois gatos, eles eram irmãos. Chartlô e Manchinha, dois fofos, mas, o Manchinha era o meu xodó. Ele tinha uma manchinha preta no narizinho. Charlôt era fofo mas era um pouquinho mais arisco. Eu andava para cima e para baixo com o Manchinha em meu colo e ele dormia comigo na minha cama nas noites frias do inverno europeu. Pois é, eu morava na Bélgica naquela época. Enfim, o Manchinha foi meu grande parceiro de papos estrangeiros. Eu conversava com ele em um dialeto em que apenas  a minha fantasia e o Manchinha, entendíamos. Esse relato é a testemunha nua e crua do tempo que percorre meus interiores e que testemunham histórias das minhas raízes. 14/9/2009 Mariana Junqueira

2 comentários:

Natália Parreiras disse...

Mari,

Amei sua crônica poética. Adorei o ritmo e o tom, em especial o apuro com que descreve os detalhes da "vovó"... Pude ver o que descreveu por tê-lo feito tão bem!
Beijos e Parabéns!

Photographe disse...

Eu achava que ia estar casada e com filhos aos 30. Que ia ser adulta, trabalhar num emprego "normal", ter minha casa, e minha vida de mulher crescida!!! Algumas coisas aconteceram, bem diferntes do que eu imaginava, mas adulta eu não sei se me sinto ainda!!! Mas o que eu mais gosto de ver e acompanhar são os nossos caminhos, de pequeninas até qnd virarmos adultas de verdade (ou não!!!). :) Bjs

ps: me avise do andamento de seu futuro "filho".